– Para vermos o azul, olhamos para o céu. A terra é azul para quem a olha do céu. Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? Ou uma questão de grande nostalgia? O inalcançável é sempre azul.
– Se eu fosse o primeiro astronauta, minha alegria só se renovaria quando um segundo homem voltasse lá do mundo: pois também ele vira. Porque “ter visto” não é substituível por nenhuma descrição: ter visto só se compara a te visto. Até um outro ser humano ter visto também, eu teria dentro de mim um grande silêncio, mesmo que falasse. Consideração: suponho a hipótese de alguém no mundo já ter visto Deus. E nunca ter dito uma palavra. Pois se nenhum outro viu, é inútil dizer.
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo.
algum lugar no fundo de um poço
[julho, 2012]
tudo passa
[abril; 2010]
são jorge
[julho, 2012]


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[abril; 2010]](http://24.media.tumblr.com/tumblr_mbav9mAisb1qas6zuo1_1280.jpg)
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